sexta-feira, 24 de março de 2017

MATO GRASSO E MATO GROSSO DO SUL

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MATO GROSSO E MATO GROSSO DO SUL

Aleixo Garcia veio a ser o primeiro europeu a desbravar área, que viria a constituir o estado de Mato Grosso.
Tendo sido náufrago da esquadra de Juan Diaz de Solis, em 1525 atravessou a “mesopotâmia” (entre rios) formada pelos rios Paraná e Paraguai, na frente de uma expedição de cerca de 2.000 homens, avançando até à Bolívia.
Na volta, com grande quantidade de prata e cobre, Aleixo Garcia foi morto por índios paiaguás.
Sebastião Caboto em 1526, também penetrou na região, subindo o Paraguai até alcançar o domínio dos guaranis, com os quais travou relações de amizade e de quem recebeu, de presente, peças de metais preciosos.
Pelo célebre Tratado das Tordesilhas, o actual estado do Mato Grosso, e o, ora Mato Grosso do Sul, pertenciam à Coroa espanhola. Os jesuítas ao serviço da Coroa de Espanha, criaram os primeiros núcleos, donde viriam a ser expulsos pelos bandeirantes paulistas em 1680.
Fantásticos relatos sobre imensas riquezas do interior sul-americano, acenderam ambições de espanhóis e portugueses. Estes a partir de São Paulo lançaram-se em audaciosas incursões, nelas preparavam índios e alargaram as fronteiras do Brasil.
As bandeiras paulistas, chocaram com tropas espanholas do cabildo de Assunção e com resistência das missões jesuíticas.
Desde 1632, os bandeirantes conheciam, de passagem, onde os jesuítas tinham localizado as suas reduções de índios e que os espanhóis percorriam como terra sua.
António Pires de Campos, em 1672, chegou criança, com a bandeira paterna às, depois, famosas minas dos Martírios.
Já adulto retomou o caminho da serra misteriosa e navegou contra corrente, os rios Paraguai e São Lourenço, Cuiabá acima até ao Porto de São Gonçalo Velho, onde se chocou com os índios caxiponés
Em 1718, a descoberta do ouro acelerou o povoamento.
Para garantir a nova fronteira, em 1748, Portugal criou a capitania de Mato Grosso, ali construiu eficiente sistema de defesa.
Uma expedição de bandeirantes chegou ao Rio Piranhas, em busca dos índios caxiponés, descobrindo ouro nas margens do rio, pelo que alteraram o objectivo.
Em 1719 formando o primeiro grupo populacional, organizado nas margens do rio Coxipó, foi fundado Arraial da Forquilha, a actual cidade de Cuiabá.
A região de Mato Grosso estava subordinada a Rodrigo César de Menezes.
A capitania de Mato Grosso, veio a ser criada pela Coroa portuguesa em 9 de Maio de 1748, desmembrada do território da capitania de São Paulo.
O governador muda-se para o arraial e de imediato o elevou a nível de vila, que denominou Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá.
Com os tratados de Madrid e Santo Ildefonso, os Reinos de Espanha e Portugal estabeleceram as novas fronteiras.
A notícia de índios descuidados e pouco ariscos espalhou-se e em 1718 um bandeirante de Sorocaba, Pascoal Moreira Cabral Leme, descendente de índios, subiu o rio Caixipó, até à aldeia destruída dos coxiponés, onde deu início à rancharia de uma base de operações.
Cabral Leme descobriu abundante jazida de ouro. A caça ao índio deu vez à mineração.
Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, governador entre 1772 e 1789, teve a iniciativa de reforçar o esquema defensivo da capitania. Na margem do Rio Guaporé. O Forte Real do Príncipe da Beira e no sul sobre o Rio Paraguai, abaixo do Rio Miranda, o Presídio Nova Coimbra.
Fundou a Vila Maria (tarde São Luís de Cáceres), Casalvasco, Salinas e Corixa Grande.
Criticou Severamente o tratado de Santo Ildefonso (1777), no tocante ao Mato Grosso, por achar que tinha concessões prejudiciais a Portugal.
No levantamento cartográfico e na delimitação de fronteiras, teve a participação de dois astrónomos e matemáticos brasileiros recém- formados em Coimbra, Francisco José de Lacerda e Almeida e António da Silva Pontes e dos geógrafos, capitães Ricardo Francisco de Almeida Serra e Joaquim José Ferreira.
Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o futuro Marquês da Praia Grande, chegou a Cuiabá em 1796, assumindo o Cargo de capitão-general com um plano de defesa que protegesse a capitania de qualquer tentativa de invasão.
Realmente a guerra com os espanhóis veio a deflagrar em 1801, quando Lázaro de Ribera, à frente de 800 homens atacou o Forte de Coimbra, que Ricardo Franco defendeu, apenas com 100 homens, conseguiu repelir.
A paz, veio a ser firmada em Badajoz a 6 de Maio de 1802, ficando a capitania estabilizada.
No fim do período colonial verificou-se certo declínio da capitania. Cuiabá e Vila Bela entretanto, haviam sido elevadas a cidades.
Mato Grosso, tem a bebida típica tereré, que é seu património imaterial, sendo Mato Grosso do Sul, o estado símbolo dessa bebida e maior produtor de erva-mate de que deriva a bebida, de origem pré-colombiana.
A capital de Mato Grosso é Cuiabá e do Mato Grosso do Sul, Campo Grande.

Daniel Costa


sábado, 18 de março de 2017

CIDADE DE VITÓRIA DO ESPÍRITO SANTO

Foto de Daniel Costa.
Foto de Daniel Costa.
CIDADE DE VITÓRIA DO ESPIRITO SANTO
Como já foi dito, devido à constância de ataques de indígenas, de franceses e de holandeses, a capital da capitania, fundada em 8 de Setembro de 1551, foi mudada para a Ilha de Santo António (a que o índios chamavam Ilha de Guanaani),
Só posteriormente, a cidade teve o seu nome mudado para Vitória, em memória da grande vitória obtida por Vasco Fernandes Coutinho, na batalha contra os índios goitacás.
A cidade foi sendo construída nas partes altas, o originou várias ruas estreitas. Como a parte de baixo foi sendo sujeita a ataques, devido a isso, foram construídos vários fortes à beira mar.
Em 1592, os capixabas rechaçaram uma investida de Ingleses, comandados por Thomás Cavendish.
Em 1625, o donatário Francisco Aguiar Coutinho, enfrentou a primeira investida dos holandeses, que Pieter Pieterszoon Heyn, comandou, nela se destacou a heroína capixaba Maria Hortiz.
Em 1640, sete navios holandeses atacaram, novamente, o Espirito Santo, comandados pelo coronel Koin. Conseguiram desembarcar 400 homens, mas foram repelidos pelo capitão-mor João Dias Guedes e não se fixaram em Vitória.
Atacaram, então Vila Velha, onde também foram vencidos.
Diante de tão repetidos ataques, o governo colonial resolveu destacar para Vitória, quarenta infantes da tropa regular.
Essa a capitania progride e Koin, captura duas naus carregadas de açúcar que, atingidas pelo fogo de terra, acabam de ficar com a carga avariada.
Nos primeiros tempos, esgotada a população, bem como a incapacidade de dar seguimento à sua, ainda, incipiente agricultura, ameaçava desertar da capitania. Também os recursos particulares estavam a revelar-se insuficientes para manter empresa tão árdua, quanto onerosa.
Em 1627, morreu Francisco de Aguiar Coutinho, cujo sucessor, Ambrósio de Aguiar Coutinho, desinteressou-se do senhorio e continuou como governador nos Açores.
Sucederam-se capitães-mores, com sérias e frequentes divergências entre eles e os oficiais câmara.
Em 1667, António Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, último descendente do primeiro donatário, conseguiu a nomeação para capitão-mor de António Mendes Figueiredo, governante operoso e estimado.
Em 1674 deu-se a compra do território ao último donatário da família Câmara Coutinho, pelo fidalgo baiano, Francisco Gil de Araújo, por quarenta mil cruzados que, carta régia de 18 de Março de 1675 confirmou.
O objectivo do novo donatário com a compra da capitania: o descobrimento de “pedras verdes” – esmeraldas saiu frustrado. Está menos nos resultados, que na dinamização do interesse pela área com um maior conhecimento do interior.
Entre as expedições mais destacadas, contam-se as de Diogo Martins Cão, 1596, Marcos de Azevedo, 1611 e Agostinho Barbalho de Bezerra, 1664, que exploraram as imediações do rio Doce.
Francisco Gil de Araújo fundou a vila de Nossa Senhora de Guarapari e construiu os fortes do Monte do Carmo e de São Francisco Xavier. O de São João que, encontrado em ruínas foi reconstruído.

Daniel Costa


terça-feira, 14 de março de 2017

CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO

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CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO

O que é hoje o estado do Espirito Santo, antes da colonização do Brasil, era habituado por diversas tribos indígenas, todas do tronco Tupi. As tribos do interior eram os Botocudos, sendo-lhes atribuído comportamento belicosamente hostil, além da prática de antropofagia.
No litoral as tribos também eram hostis, mas de hábitos diferentes.
A Sul, na serra do Caparaó, as tribos não eram hostis, derivando o seu nome do hábito de levar os visitantes para “ouvir o silêncio” da Serra do Castelo. As tribos eram os aimorés e os goitacás.
Foi em 1535 que os colonizadores portugueses chegaram à Capitania do Espírito Santo, tendo desembarcado na região da Prainha.
À época teve início a construção do primeiro povoado com o nome de Vila do Espírito Santo.
Por causa dos índios terem atacado essa Vila, Vasco Fernandes Coutinho promoveu a fundação de outra numa das ilhas. Esta passou a ter a designação de Vila Nova do Espírito Santo, a actual Vitória. Enquanto à antiga foi mudado o nome para Vila Velha.
Depois, em 1715, Espírito Santo foi anexado à Capitania da Bahia, então a sua capital também foi Salvador.
Refira-se o merecido destaque, o Convento de Nossa Senhora da Penha, símbolo da religiosidade capixaba, abriga ali, no seu acervo, a tela mais antiga da América Latina, a imagem de Nossa Senhora das Alegrias.
Em Julho de 1534 foram concedidas, pelo rei de Portugal D. João III, cinquenta léguas de litoral, entre os rios Mucuri e Itapernirim, ao veterano das Índias, Vasco Fernandes Coutinho, português que desembarcou no território da capitania, a 23 de Maio de 1535, dando o nome de Espírito Santo, à vila que logo fundou e ao estado, que tem o mesmo nome, dado esse ser o dia da celebração da terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Aos naturais do Espírito Santo, além de espírito-santenses, denominam-se capixabas, devido às roças de milho na ilha de Vitória.
A fixação da vila foi uma história de lutas, já que os índios, sem resistência, não entregaram aos portugueses, as suas roças e malocas (casas comunitárias de tribos de índios).
Recuaram à floresta, para se concentraram e iniciarem uma luta de guerrilhas, que se prolongou, embora com intervalos de pequenas tréguas, até meados de século XVII. Luta bem dura, para Vasco Fernandes Coutinho.
Para o patriarca do Espírito Santo, a capitania, que fora um prémio, transformou-se em castigo, pois teve de empenhar todos os bens, para conservar a vila, acabando por morrer pobre e desvalido.
Além da insubmissão dos indígenas, o donatário ainda teve de enfrentar dissensões entre portugueses.
Usando os poderes que recebera com a carta de doação, concedeu aos seus companheiros Jorge de Meneses e Duarte Lemos, extensas sesmarias.
Com isso, criou dois implacáveis rivais.
Duarte de Lemos fundou Vitória, na época, Vila Nova, na ilha de Santo António, em posição estratégica, mais vantajosa que Vila Velha para defesa contra constantes ataques dos silvícolas. Para lá foi transferida a sede da capitania.
Na mesma época chegaram os jesuítas, empenhados na catequese, que provocava choques com os colonos, cujos preferiam dominar os gentios pela escravidão.
A presença do padre José de Anchieta conferiu especial à acção dos padres da Companhia de Jesus, nessas terras do Espirito Santo.
Desde 1561 Anchieta escolhera para refúgio a aldeia de Reritiba, donde tinha de se afastar constantemente, devido aos seus encargos ora em São Paulo, ora no Rio de Janeiro ou na Bahia.
De notar que o padre, José de Anchieta, escreveu dois poemas em Reritiba: “De Beata Virgine dei Maria” (Da Santa Virgem Mãe de Deus) e “De gestis Mendi de Saa” (Dos feitos de Mendes de Sá).
No último, foi descrita a epopeia de uma esquadra enviada da Baiha, por Mendes de Sá, governador-geral do Brasil, para socorrer Vasco Fernandes Coutinho, com a sua gente, que estavam sob cerco dos tamoios na ilha de Vitória.
A maior força dos gentios estava concentrada numa aldeia fortificada, junto ao rio Cricaré.
Foi ai que se deu a decisiva batalha, a 22 de Maio de 1558.
Os Portugueses, embora vitoriosos, sofreram baixas pesadas. Entre elas o próprio filho de Mem de Sá, Fernão de Sá, que comandava a esquadra e dois filhos de Caramuru (Diogo Alves Correia) com a índia Paraguaçu.

Daniel Costa


terça-feira, 7 de março de 2017

PARÁ E... BELÉM DO PARÁ

Foto de Daniel Cordeiro Costa.
Foto de Daniel Cordeiro Costa.

PARÁ E… BELÉM DO PARÁ

Pelo tratado das Tordesilhas, em 1694, a região do vale amazónico, pertencia à Coroa espanhola. Uma vez que era assim, a foz do rio Amazonas foi descoberta, pelo navegador Yáñez Pinzón, em Fevereiro de 1500.
Diogo Lepe, seu primo também a alcançou em Abril do mesmo ano.
Com o fim de consolidar a região, como território português, foi fundado o Forte do Presépio, na então chamada Santa Maria de Belém do Grão Pára.
A construção foi a primeira do modelo na Amazónia, também a mais significativa do território até 1660.
Apesar do Forte, a ocupação do território foi, desde cedo, marcado por incursões de holandeses e Ingleses, em busca de especiarias. Daí a crescente necessidade de os portugueses fortificarem a área.
No século XVII, integrada a região, à capitania do Maranhão, o Pará conheceu a prosperidade com a lavoura e a pecuária.
Em 1616 é criada a capitania do Grão-Pará, pertencente ao Estado Colonial Português do Maranhão, que abrigará também a capitania de São José do Rio Negro, hoje o estado do Amazonas.
Frequentemente, designada Belém do Pará, a cidade de Belém foi fundada em 12 de Janeiro de 1616 pelos portugueses, desenvolvendo-se às margens da baia Guajará.
É cidade portuária e histórica, situada no extremo nordeste da maior floresta tropical do mundo, sendo a cidade mais chuvosa do imenso Brasil, devido ao seu clima equatorial, directamente influenciada pela Amazónia.
Nos seus 400 anos, Belém viveu momentos de plenitude, em determina época, foi conhecida como Paris na América, apesar de ser cosmopolita e moderna, a cidade não perdeu o ar tradicional das fachadas dos casarões e igrejas do período colonial.
Mantém eventos de grande repercussão como o Círio da Nazaré, criado em 1793, que será a maior manifestação religiosa do Brasil e uma das maiores do mundo, declarada pela NESCO, Património Cultural da Humanidade.
Belém era um pequeno lugarejo, em meados do século XVIII, moradia dos índios xucurus.
O núcleo do município foi crido no contexto da conquista da foz do rio Amazonas, no início da ocupação militar da chamada União Ibérica, na região, em 1580 e a consequente defesa da Amazónia por forças luso-espanholas, sob o comando do Capitão Francisco Caldeira Castelo Branco.
Foi este, que em 12 de Janeiro de 1616 fundou o Forte do Presépio, que deu origem ao povoado, inicialmente, chamado de Feliz Lusitânia, passando então por Santa Maria de Belém do Pará, denominação que sofreu metamorfoses, até a Belém simplesmente.
Em 1621, para assegurar a posse do território, foi criado o Estado do Maranhão e Grã Pará com sede em São Luís, em virtude da sua importância económica e politica, em 1751, a sede foi transferida para Belém, tornando esta a primeira capital de Amazónia.
Também com sede em Belém, além do próprio município, este envolvia outros, como Acará, Ourém e Guarná. Dele também fazia parte a comarca.
Nessa época os indígenas tiveram participação directa, mas em áreas reservadas, afastadas dos centros urbanos, para viverem a sua cultura, após vários conflitos com os colonizadores.
Em contrapartida, crescia o comércio de escravos, trazidos para os trabalhos gerais, surgindo a figura do caboclo que se ia desenvolvendo com a miscigenação.

Daniel Costa





domingo, 5 de março de 2017

CAMPINA GRANDE E O MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO

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CIDADE DE CAMPINA GRANDE E O MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO

No seu ainda novo mundo, da cidade de João Pessoa, daquela orla marítima, a englobar Tambaú, onde vivia Teodósio de Mello, com a adorada Samira, continuava olhando a vida com o encanto, pelo seu gosto de pesquisar todos os pormenores do achamento do Brasil e posterior colonização e aculturação pelos portugueses.
Em conversas e livros ou artigos, são tecidas inúmeras críticas à forma de com esta colonização foi levada a cabo, pela vitimização de várias etnias índias, se visto isto à luz da civilização ocidental, de hoje, seria certo.
Porém se olharmos e meditarmos, sob o ponto de vista da época, de todas as colonizações, talvez se mude de ideias e se deixe de ser injusto para os antepassados dos portugueses de hoje.
Um estudo Norte-Americano revela que a colonização, do Brasil, foi exemplar. Tanto, Teodósio de Mello não diria mas vê isso como razoável, visto que nenhuma civilização, como a portuguesa, deixou a fraternidade, pela miscigenação.
Os portugueses deixaram no Brasil, séculos de integração genética e cultural de povos Celta, Romano, Germânico e Lusitano. Não obstante, estes serem basicamente uma população europeia, sete séculos de convivência com mouros, do norte de África e Judeus, foi importante este legado que os portugueses introduziram no Brasil.
A chegada dos primeiros colonos portugueses, maioritariamente homens, deu em relações íntimas com índias, que mais tarde, em 4 de Abril de 1755, D. José, rei de Portugal, decretou a autorização de miscigenação de portugueses com índios.
Pensando nisto, foi com Samira, passar um fim-de-semana, na segunda cidade do estado, depois de João Pessoa, Campina Grande, expressão cultural daquele nordeste, naturalmente, influenciada pelos portugueses na sua génese.
A urbanização do município tem forte vínculo com as actividades comerciais, desde o seu início até hoje.
O município foi lugar de repouso para tropeiros, em primeiro. Depois ali formou-se uma feira de gado e uma feira geral, de grande destaque no Nordeste.
Posteriormente o município deu um grande salto de desenvolvimento, em virtude das actividades tropeiras e ao crescimento da cultura do algodão.
A origem de Campina Grande é, normalmente, atribuída à ocupação pelos índios Ariús comandados por Teodósio de Oliveira Lêdo, Capitão-mor dos Sertões, em 1 de Dezembro de 1697.
Em 1750, Campina Grande é elevada a freguesia denominada Nossa Senhora dos Milagres.
Mais tarde, o Governo da Capitania de Pernambuco propõe a criação de três vilas no Cariri paraíbano.
Em 1787, António Filipe Soares de Andrade Brederodes, resolveu homenagear a Rainha de Portugal, Dona Maria I, nomeando o local de Vila Nova da Rainha e estabelecendo a primeira rua, com casas de taipa.
A igreja, construída no alto da ladeira, originou a construção de várias casas junto, sendo actualmente a Catedral de Campina Grande.
O largo da Matriz, a Rua onde foi construída a igreja veio a tornar-se uma das ruas mais importantes da cidade, a Avenida Floriano Peixoto.
A economia do povoado era norteada e sustentada pela feira das Barrocas, por onde passavam tropeiros e boiadeiros.
Devido ao progresso comercial, que foi sendo alcançando, aos poucos o povoado evoluiu até se tornar vila.
Foi no fim do século XVIII, que a Coroa mandou criar novas vilas na província. Nessa época, a província da Paraíba, estava sujeita à de Pernambuco, o governador era D. Tomás José de Melo.
Em 1787, sendo ouvidor da Paraíba, António F. Soares, que pediu ao governador de Pernambuco a criação de três vilas na capitania. Além de outras, Campina Grande era candidata.
Em Abril de 1790, Campina Grande, foi escolhida pelo Ouvidor Brederodes, para se tornar vila, por as suas terras cultivadas representarem maior valia a produzir riqueza e principalmente, pela sua melhor localização, entre a capital no litoral e o sertão.
O território era bastante abrangente: compreendia o Cairi, parte do Brejo, os povoados de Fagundes, Boqueirão, Cabaceiras, Milagres, Timbaúba do Gurião, Alagoa Nova, Marinho e outros povoados.
Actualmente, sedia vários eventos culturais, com destaque para o chamado, “O Maior São João do Mundo”, que se desenvolve e dura todo o mês de Junho, herança da colonização portuguesa que depois se ampliou.

Daniel Costa




terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

GOIÁS E A CIDADE DE GOIÂNIA

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GOIÁS E A CIDADE E GOIÂNIA

Aquando da descoberta do Brasil, pelos portugueses, a região do actual estado de Goiás, era habitado pelos índios avarás-canoeiros, tupi-guaranis e tapuias.
A ocupação do território goiano foi iniciada com Catarina Silva e as expedições de bandeirantes (aventureiros) vindos da Capitania de São Paulo.
As Bandeiras tinham como objectivo capturar índios, para servir de mão- de-obra escrava para desenvolver a agricultura e as minas, tanto no território de “Goyazes”, como na Capitania de São Paulo.
Outras expedições saiam do Pará, nas chamadas “Descidas” (as primeiras expedições ao actual estado de Goiás eram organizadas em canoas, seguindo o curso dos rios Parnaíba, Tocantins e Araguaia), não se dava a criação de vias permanentes.
Devido à descoberta do ouro, em Minas Gerais e Mato Grosso, a ocupação tornou-se efectiva, porque se acreditava que a região também possuía minério. Ideia que ganhava força com a crença, muito renascentista, que o ouro era mais abundante, quanto mais próximo da linha do Equador e no sentido leste oeste.
A busca do ouro se intensificava e a sua deste tornou o foco incontornável das expedições dos Bandeirantes na região.
A história de Goiás remonta ao início do século XVII, com a chegada dos bandeirantes vindos de São Paulo, atraídos pela descoberta de minas de ouro. Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhaguera, comandou a primeira bandeira com a intensão de ali se fixar.
Saiu de São Paulo a 3 de Julho de 1722, sendo a região do Rio Vermelho a primeira a ser ocupada, com a fundação de Vila Boa (mais tarde cidade de Goiás).
Uma das Bandeiras mais importantes, chegadas ao território goiano, foi a comandada por Francisco Bueno, a primeira a encontrar ouro em 1682, embora em pequena quantidade.
A região explorada por essa Bandeira estendeu-se, das margens do rio Araguaia até à região do actual município de Anhaguera.
Bartolomeu Bueno da Silva filho de Francisco Bueno, também fazia parte dessa Bandeira.
Francisco Bueno da Silva interessou-se pelo ouro que adornava algumas índias de certa tribo, mas não teve sucesso em obter informações confiáveis sobre a localização exacta desse ouro.
Para descobrir a localização exacta, resolveu ameaçar pôr fogo nas fontes e rios da região, utilizando aguardente para convencer os índios da tribo, que tinha “poderes” e meios para fazer isso acontecer.
Os índios apavorados, de imediato o levaram às jazidas, surgindo o apelido de Anhaguera (diabo vermelho ou feiticeiro).
O filho de Anhaguera, chamado Bartolomeu Bueno da Silva, cerca de 40 anos após o acontecido, tentou retornar aos locais, onde o seu pai havia passado.
Em 1722 fixa-se na vila de Sant’Ana, em 1727. Mais tarde, viria a tornar-se Vila Boa de Goyaz.
O ouro explorado na área era, retirado da superfície dos rios, por peneirar o cascalho, este tornou-se escasso após 1770.
A região, basicamente, passou a viver da pequena agricultura de subsistência de algumas actividades de pecuária.
À época as principais regiões de Goiás eram exploradas pela capitania de São Paulo.
A região correspondente ao Triângulo mineiro pertenceu à capitania de Goiás, desde a sua criação, em 1744, até 1816.
Antigos registos históricos mais antigos encontrados na região de Goiás, foram datados de onze mil anos, o que indicia que a ocupação humana na área se iniciou há milhares de anos.
Grande parte dos sítios arqueológicos que se apresentam, estão situados em Serranópolis, Caiapónia e Bacia do Paraná, abrigados em rochas de arenito e quartzito, além de grutas de maciços de calcário.
Além destes há fortes indícios de ocupação pré-histórica nos municípios de Uraçu e Naquilândia que, juntos, abrigam bastante material lítico do homem pré-histórico, conhecido no caso, como “homem Parnaíba”.

Daniel Costa

sábado, 18 de fevereiro de 2017

PARANÁ E CURITIBA, SUA CAPITAL

Foto de Daniel Costa.
Foto de Daniel Costa.

PARANÁ E CURITIBA, SUA CAPITAL

No período pré-cabralino, a região que hoje constitui o estado do Paraná, uma das 27 unidades federativas do Brasil, era habitada por diversos povos indígenas brasileiros, milhares de anos antes da chegada dos primeiros europeus. Aqueles incluíam os carijós, no litoral e os caiangangues, no interior.
 No século XVI, ignorada por Portugal, o período pós Cabral foi explorada por outros países, que procuravam madeiras, especialmente, de lei.
As mais importantes expedições, foram espanholas, trazendo os religiosos da companhia de Jesus, que fundaram centros de povoamento no oeste do Paraná.
Em 1554. Otiveros, distando uma légua do Salto das Sete Quedas, foi fundada por Domingo Martinez de Irala, governador do Paraguai.
Posteriormente, a cerca de três léguas de Otiveros foi fundada a Ciudad Real del Guaryrá, na foz do Rio Piquini.
Em 1576, foi fundada, ainda pelos espanhóis, na margem esquerda do rio Paraná, Vila Rica do Espírito Santo.
Com três cidades ou “pueblos” e várias “reduções”, à época, a região era conhecida, como Província Real del Guaíra.
No início do século XVII, depois de se descobrir ouro em terras paranaenses, os luso-brasileiros, iniciaram a ocupação, por meio de bandeiras, saídas de São Vicente.
Já em 1629, os estabelecimentos dos jesuítas espanhóis, excepto Loreto e Santo Inácio, sofreram destruição completa dos bandeirantes paulistas. Em 1632 Vila Rica, último reduto espanhol, com capacidade para resistir, sofreu cerco e destruição, por António Raposo Tavares.
A região aurífica do Paraná foi descoberta antes da de Minas Gerais.
Assim, os povoadores foram fixados no litoral, como no primeiro planalto paranaense. O povoamento era mais concentrado em Paranaguá.
Em 1693, Curitiba foi elevada a vila, sendo transformada no centro que comandava a expansão territorial do Paraná.
Era bem difícil explorar o ouro, dado que não eram conhecidos métodos eficientes e também porque a mão-de-obra era escassa. Dessa forma, logo que se deu a descoberta de ouro em Minas Gerais, o do Paraná deixou de ser importante.
Só em 1820, o território ocidental do Paraná, foi entregue à coroa portuguesa, passando a ser, politicamente, anexo à Província de São Paulo, com o nome de comarca de Curitiba.
Os primórdios de Curitiba, remontam ao século XVII, quando o chamado caminho de Queritiba, foi percorrido pelos bandeirantes, vindos em procura do ouro fora da Serra do Mar, pelo meio de Paranaquá.
O chefe da primeira expedição oficial, que coordenou a exploração de ouro dos Distritos do Sul (com a inclusão de Curitiba), foi Eleodoro Ébanos Pereira. Após surgem os primeiros nomes na história de Curitiba: Baltasar Carrasco dos Reis e Mateus Martins Leme.
Depois de várias peripécias, os bandeirantes se acomodaram no povoado chamado Vilinha.
Em 1668 um pelourinho foi levantado, por Gabriel Lara, no povoado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Um grupo que integrava dezassete povoadores assistiu ao erguer desse pelourinho. 
Assim foi o início da história de Curitiba.
O bandeirante Gabriel Lara não se considerava, o fundador de Curitiba, atribuindo, o relevante facto, ao bandeirante carioca Eleodoro Ébanos Pereira.
Não havendo registo da data exacta em que foi fundada Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, mais tarde Curitiba, oficialmente, é admitido o ano 1661.
Ainda na época da colonização com a emigração, especialmente, italiana e Polaca, deu-se o alargamento da povoação do Paraná e do que viria a ser a cidade de Curitiba.

Daniel Costa